sábado, 11 de outubro de 2014

Ana Lucia

Minha melhor amiga
É a pessoa mais maluca
E a mais sã que eu conheço
Sã porque é incompreendida
Maluca porque compreende demais
Tem meu nome
E o meu signo
Mas entre nós
Falta algo que não é o "N"
E sobra algo que não é o Lucia
É alma gêmea
Fraterna
Porque não é igual
Só que completa
Eu sei todos os defeitos e qualidades dela
Mas ela inteira
Só cabe em um poema
Quando me conheceu fez cara feia
Agora toda vez que me encontra
Sorri
Ana não sorri com os olhos
É poesia
Mas não é poética
Sorri com os dentes
Porque seus olhos quase nunca chegam a abrir
É o moleque mais sexy
A mulher mais macho
A criança mais esperta
O adulto mais frágil
Não é parecida com ninguém
Porque ela é
No pleno sentido de ser
Incomparável
Inconfundível
Chega a ser verbo
Mesmo ninguém podendo analuciar
Só ela
É sujeito de si mesma
Tem graça natural nas palavras
Melancolia natural na vida
Da sua cabeça sai o colorido
Dos seus sonhos
Da sua roupa
Da sua boca
Cheia de palavrão
De gratidão
De TESÃO!
Ana Lucia escolheu há 7 anos
Ser a grande dona do meu coração

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobre cama, mesa, banho & parente

Eu nunca tive uma visão romântica de amor e de relacionamentos. Foi a minha criação e concordo com isso. Não gostava da história da Cinderela, gostava do João e Maria porque eles saíram de casa sozinhos. Me deu uma vontade de falar sobre isso depois de coisas que venho pensando sozinha, vou explicar com detalhes o que acho de certas coisas:

O casamento

Não vejo essa importância que a galera dá pro casamento. Essa coisa que nunca pode ser desfeita e que tem um peso enorme na vida das pessoas, principalmente na da mulher. Eu acho que é só uma cerimônia que celebra a alegria de estar juntos de duas pessoas que se amam, não sei porque envolvem deus e o Estado nisso, mas whatever! Parece que nessa vida existem coisas que devem ser oficializadas.

As alianças

Não acostumei a usar aliança. Tenho a impressão de que não significa nada, mas é bonito até. Fiz uma tatuagem que acho mais legal que o objeto de ouro.

A Família

A instituição família? Pra mim é só algo que non ecziste! Esse amor incondicional na famíliaaaaaaaaa! A família é o que se deve presar. Não entendo. A gente deve presar pessoas que nos amam e nos respeitam. Geralmente a maioria da sua família são pessoas que criaram laços antigos com você, um amor de convivência, uma lealdade genuína, mas tem uma galera também que é da sua família e é um ser humano de bosta! E não vai deixar de ser porque é da sua família. Esse negócio de: "noooossa, mas é família!" Foda-se.

Os Relacionamentos

Eu acho que o amor entre duas pessoas passa longe dessas coisas romantizadas, machistas e sagradas. Sorry! Só é bacana ficar perto de alguém com quem você cria afeto, e que a convivência - sim, de novo a convivência - te faz amar e querer ficar mais perto ainda, tipo na mesma casa. E acaba sendo natural que vocês queiram, um dia quem sabe, ter um filho e ter belas experiências na vida. Mas, gente, coisa chata tornar isso obrigação, desespero, algo indispensável  pra vida. Acho muito chato querer ser casal antes de querer ser indivíduo. Muito.

Os Filhos

Quem quer tem e, por favor, educa pra ser do mundão. Quem não quer, economiza dinheiro.



E é isso. Enfim, minha opinião. Sendo feliz é o que importa.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

"Não sei se a vida é pouco ou demais pra mim.
Não sei se sinto demais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger
A dar vontade de dar gritos,de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
E preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que eu me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro
Tenho a alma rachada sobre o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?

[...]

Assim fico, fico... Eu sou o que sempre quer partir,
E fica sempre, fica sempre, fica sempre,
Até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica...

Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as acções, a banalidade dos trabalhos.
Só assim - ai de mim! -, só assim se pode viver.
Só assim, ó noite, e eu nunca poderei ser assim!"

(Álvaro de Campos)

Quando você não pode colocar em palavras o que há dentro de você, Fernando Pessoa, com certeza, pode. E isso sempre esteve dentro de mim. A insatisfação com tudo o que satisfaz. A inadequação ao que é adequado. A vontade de viver todo prazer e toda a desgraça do mundo, contanto que eu viva tudo. Essa sensação é esse poema. Esse poema sou eu.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Messias

Eu sou o peito
Que entra na frente do tiro
37 nunca vai ser metralhadora
Pega de raspão
E não acerta outra
Porque eu sou a mão
Que puxa
Do fundo do poço
Eu sou sempre o lenço
Das lágrimas de saudade
Eu sou compaixão
Solução
Nunca marinheiro
Sempre capitão

Síndrome

Sinto meu coração esfriar
Quando você encosta em mim
Suas mãos geladas
Sua pele suada
Sinto minha respiração parar
Quando te escuto ofegante
Seus olhos inquietos
Seu coração barulhento
O seu medo
Que eu não entendo
Como nunca entendi porque
Todos que meu amor toca
Se tornam vulneráveis
Sou melhor amiga da morte
E quando me aproximo
Os que não desistem da vida
Acabam tendo pânico de vivê-la
Eu sou a única que encara
Qualquer batalha
Mas já não posso resolver nada
Nem viciante
Nem passional
Nem patológico
Eu nunca vi ninguém vencer guerra
Sozinho
E eu já morri
Mais de duzentas vezes
Procurando as bandeiras da paz
Talvez eu
É que seja o conflito
Talvez eu
Não sei viver sem conflituosos

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar." LISPECTOR, Clarice in A Paixão Segundo G.H.

domingo, 27 de julho de 2014

E eu não mudo, mas eu não me iludo

Muitas vezes eu queria não ser isso que eu tenho dentro de mim. Eu queria ter isso aí que chamam de postura. Não sei não sentir ciúme, não sei não sentir desprezo, não sei não sentir ódio. Não sei não sentir coisa ruim quando me enfrentam. Não sei disfarçar sentimento. Não sei não gritar sentimento. Eu queria saber não falar na cara toda vez. TODA SANTA VEZ eu tenho que falar na cara. Queria não transformar tudo o que é intenso em caos. Queria manter a minha fama de pessoa equilibrada e não surtar. Queria não achar que eu estou sempre certa, simplesmente porque eu sou uma das pessoas mais erradas que já conheci mesmo achando que certo e errado são coisas relativas. Porque certo e errado existe sim. Cansei de chorar a ressaca moral. Cansei de não saber ficar sóbria. Estou sempre cercada de gente louca, porque eu prefiro essa gente, porque eu ando com essa gente desde sempre, porque eu atraio como imã essa gente. Mas nem sempre eu preciso disso. Já disse e repito, sou o amor no estado bruto e isso é insanamente cansativo. Porque nunca é metade, é sempre inteiro. E  inteiro sou sempre eu. Chuto as pessoas certas e seduzo as erradas.  Eu não queria amar tanto o contrário. Eu não queria me lixar pra alguém e no outro dia implorar pra que essa mesma pessoa não se lixe pra mim. Porque eu não sou nada mais que o outro, apesar de meu orgulho me cegar. Eu queria mudar de opinião mais fácil. Eu queria ser outro bicho que esse que eu sou. Muitas vezes.