domingo, 19 de maio de 2013

É horrível quando você sabe que saiu do controle. Você sente muita tristeza e muita vergonha porque todos viram o seu pior lado. Todos sabem o quanto você pode ser fraca e você não pode se lembrar de nada, você nem ao menos sabe o que aconteceu. Sua cabeça explodiu em milhares de pedacinhos e tudo de ruim que havia lá dentro veio à tona. Todo o seu corpo está cansado, cada parte dele, o distúrbio da sua mente atingiu o seu físico.

Não quero mais fazer mal para as pessoas a minha volta.
Não quero mais fazer mal para o meu amor.
Não quero mais fazer para mim.




sexta-feira, 10 de maio de 2013

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Ria um riso apaixonado
Na escuridão de seu quarto
O medo estava acabado

Sentiu a mão leve de um ser amaldiçoado
Um sussurro em seu ouvido
Que soou como um grito,
Dizia:
"É tudo mentira!"

Tirou a faca das costas
E enfiou bem no meio peito
O frio entrou em suas entranhas
A faca cortou
Congelou
Aquele que ela amava
Já estava acostumado ao cheiro de seu sangue

Escorria pelo seu corpo litros
Por todo quarto
Por toda sala
Por toda rua
Por toda cidade
Por toda vida
A ferida nunca poderia ser estancada

O demônio riu-se de tanta covardia.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Não diga que me ama

Lembranças vagueiam por cada espaço da minha cabeça e voltam subitamente aos meus olhos. Posso ver sua boca enroscada em outras bocas doentes, sua mão acariciando corpos sujos, sei quem são. Desprezo-as como os piores vermes. E aceito, sabe deus porque, que misture suas condições vulgares e nojentas a mim. Não queria.
Todos os dias quando acordo ainda dou de cara com seu olhos de repulsa, que me expulsaram pra que entrasse as prostitutas. Me negou como Pedro, três vezes, ainda sinto o peso da cruz. Infelizmente não sou feita de perdão.
Queria que minhas vontades fossem maiores que minha memória, mas memórias ruins, não são apenas dores que passam, são imensas cicatrizes, visíveis para qualquer um que passe. Todos riem disfarçadamente, eu sinto, você sair maliciosamente pelas minhas costas para encontrar o seu mundo doente.
Ainda estou caindo no abismo de que eu queria te salvar. Eu caio e nunca encontro o chão. Estou indo ao encontro da morte. Crueldade sem fim.
Desde que me levantei de onde eu chorava ao teus pés, vejo minhas tantas lágrimas escorrendo pela sarjeta em minha própria direção, entram em meus ouvidos, como tudo que já foi capaz de espalhar sobre mim, percorrem minhas veias, caio. Escuto sua voz bem ao fundo em meio uma percepção conturbada do real.
Me ama? Me ama como as  promessas e cartas de amor que dirigiu às mais pobres de espírito? Não confio na pureza desse amor. Não confio na verdade dessas palavras. A cada vez que são ditas é como se ardessem todas as minhas feridas.
Não existe paz depois da mentira.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"E não quero mais me separar de mim que é me separar de você. É vício, é dependência, é escolha, é costume, é vontade, é loucura, é serenidade. Tanto faz a palavra desde que estejamos juntos. Minha angústia é esperançosa. Minha dor é alegre. Minha ansiedade é paciente. Ninguém entenderá o que sinto a não ser você. Todos os demais serão hóspedes do desejo. Seu cheiro é meu quarto, onde sonho melhor. Seu cheiro é minha cama. Nada nos separa, nem o aborrecimento. Amo inclusive sua tristeza. Beijar seus olhos chorando é também beijar sua boca. Sua pálpebra tem a suavidade e o tremor dos lábios. Amo sua solidão que é do tamanho da minha. Amo sua solidão porque você me conservou nela. Guardou para me devolver hoje."

Carpinejar

Abismo

Eu vejo você acoado no meio das pessoas, você tem medo delas, tem medo desse mundo que faz tudo ao contrário de você. Essa fraqueza que você sente me torna forte. Nunca tive problemas com o mundo, desprezo a beleza fútil, desprezo os machões, desprezo todos os sorrisos falsos. E você me despreza.

Você me despreza.

Você me despreza quando estamos a sós porque aí não me lembro de quem eu sou, e você continua não sendo ninguém. Você está longe da realidade e perto do que esqueceu ser o que você nunca quis. E eu fico acoada perto de tudo o que a fraqueza te tornou, fico com medo dos seus amigos fracos que te levam pro abismo de não ser. Não se atire aí de cima, me dê a mão, vamos voltar. Eu grito, olha eu estou aqui querendo te salvar!
Vamos passar no meio de toda essa gente. Eu estou aqui parada, soluçando a cada dia a toda facada. Na primeira facada já estava confirmada a minha morte, todas outras 100 foram só sua vontade de matar. Quem é você?
Não é pecado que você não consiga mais chorar diante da crueldade, mas é triste, porque a lágrima é só para as almas sensíveis, assim como a poesia. É por isso que você não ouve mais as minhas.
O medo não me deixa mais acordar enxergando a beleza e encher o papel de borboletas. Abro o olho, meu coração se fecha, fica pequeno, apertado, calado, esperando você não tentar me fazer feliz. Esperando você se lançar para o nada. Qual é a graça de ouvir o meu choro?
Se um dia eu fui linda de qualquer jeito, ainda tenho a esperança que você veja beleza no meu olhar lacrimejante.
Eu queria me divertir, sem pensar, sem você ficar toda hora tentando me mostrar que não estou mais no controle. Eu não quero estar. E você também não deveria querer. Isso é ilusão, permita-se. Está aí sentando nessa beirada há tanto tempo, esperando que eu viesse te buscar, só pra que você pudesse me mandar embora. Por que?

Levante-se.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Todo poeta tem um amor problemático
Que perdura pela vida
Um câncer assintomático
Uma vida inteira pra ser diagnosticado
Como morte
Da sorte
É feito um corte
Entre o peito e o feito
Que foi desfeito e refeito
Muitas vezes, umas treze
Ao longo do que alguns chamam educadamente
De história de amor
E ele que nasceu pra escrever a beleza da dor
Faz sair mel desse tumor
O que é digno de um exímio sofredor
A vida da mais uma chance pra essa doença
Que o poeta através da arte faz sobreviver como crença
Passando por séculos sem desfalecer