sábado, 14 de julho de 2012

domingo, 8 de julho de 2012

Rap da Verdade

E quando cansou de ser galã, e de ir atrás da mulherada
Veio tipo cão sem dono pedir perdão pra namorada
Esqueceu que ela sentiu a faca no peito de ser traída e humilhada
E que no outro dia toda família ainda viu o cara na rua com outra de mão dada
Ninguém precisa de falsidade e arrependimento de fachada
Na minha conversa o papo é reto, sinceridade na levada
Me viu chorando há um tempo atrás, achou que ia me ver despedaçada
Te trago más novas, eu levantei, estou de pé e preparada
Ao contrário do que pensa, não desacreditei, eu ando em frente na jornada
Já diria Black Alien, pra se livrar do rato, a casa não precisa ser queimada
O tempo muda as ideias e fortalece a caminhada
Caráter é ouro, coragem brilhante, se você não têm vão vale nada
Falador passa mal, fica querendo desconversar as fita errada
Se não tem cara pra assumir, eu te digo, todo mundo lembra da tua mancada
Quem perdoa é deus, eu não esqueço com que arma eu fui atacada
E mesmo cheia de raiva, é a felicidade que abre caminho pra minha chegada
Eu levei tanto soco, não vai ser dessa vez que vou ser nocauteada
Toma o teu rumo, some no mundo, que não é assim que funciona na minha quebrada
Lealdade aqui é lei, comigo é só uma vez, meu maracatu pesa uma tonelada

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Je ne t'aime plus, mon amour...

Esta semana posso dizer que me libertei, me libertei da angústia, me libertei pra perceber algo que estava bem na minha frente e que meus olhos não enxergavam, que o meu coração não sentia. Enfim eu passei a fase de coisas que me faziam mal, me desapaguei, não da raiva - eita raivinha feia que me impulsiona!  -, mas das coisas que me puxavam para trás. Certas coisas que foram tão importantes, não por raiva, e nem por vontade, mas involuntariamente, se tornaram tão impessoais, tão sem importância, talvez não sem importância, mas enfim, se tornaram parte do passado e não do presente. Nada melhor do que as coisas acontecerem naturalmente, e no final a gente poder respirar fundo e dizer: deu tudo certo, eu sabia que ia rir de tudo isso. É uma pena que mesmo sabendo antes a gente sofre, mas sofrimento é aprendizado, sempre.
Sou do tipo de pessoa que vive da certeza. É a incerteza que me angustia. Quando eu tive certeza do que eu estava sentindo agora, quando pude ter convicção do que deixei de vez pra trás e do que quero agora pra mim é que pude sentir a paz. Certeza de mim e do mundo. Falar cada palavra com certeza, sorrir com certeza, dar cada passo em frente com certeza é um alívio pra mim.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

E aí alguém me respondeu, mas você viu que o cara citou Drummond? Eu nunca mais vi nada, e nem quero ver... Mas eu digo, amigos, esse nobre poeta tem muito mais a dizer:
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(Os ombros suportam o mundo - Carlos Drummond de Andrade) 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

"Melhor saber os nomes das flores do que confessar infantilmente que desconheço a natureza.

Melhor ter um bom senso de direção do que contar como muitas vezes me perco.

Estas confissões redundam em cabotinismo, mas aqui não tenho nada do que me vangloriar.

Melhor saber do que ser ingênua. Não sou mais uma menina.

Melhor ser decidida, obstinada, do que educada, submissa, dócil à escolha de outra pessoa.

Admitir meus erros, quando fui enganada ou se aproveitaram de mim - um luxo que raramente devo me permitir. As pessoas podem parecer solidárias, na verdade nos desprezam um pouco. Fraqueza é um contágio, gente forte evita os fracos com razão."

(Diários Susan Sontag)

sábado, 23 de junho de 2012

No love, no glory, no hero in her sky...

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. -
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.


(Cecília Meireles)