quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pode-se enxergar a tristeza em você ter me feito deixar de acreditar em deus,
E pode-se enxergar a felicidade de agora eu depositar toda fé que tenho em mim.
Encorajei-me a andar sem olhar pra trás,
Mas quem sabe se eu olhar você não some nas sombras?
E eu, que não sou Orpheu, vou cantar para quem queira me ouvir...
Você fica com os deuses do inferno, neles eu ainda acredito.
Se esse deus é tão justo,
Que justiça é essa que envia os homens para machucar as mulheres,
Torná-las duras e frias diante do amor, e culpá-las, então, pelo mal de outros homens?
A minha raiva é o grito em ecos de tudo de ruim que você me disse,
Ainda depois de tudo de ruim que você me fez.
Cada palavra que caiu no teu esquecimento,
Bate de volta em mim todo dia e me dá impulso para a vida.
Esse ódio pode até ser fraqueza...
Mas o que importa é que é fraqueza que empurra pra frente,
Não é lágrima que puxa pra trás.
E se quer saber da verdade...
Não, eu não te amo mais,
Só que ainda rezo antes de dormir.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Felicidade Angustiada

"Agora conheço um pouco da minha capacidade... Sei o que quero fazer da minha vida, e tudo isso é tão simples, mas era tão difícil para mim saber no passado. Quero dormir com muitas pessoas - quero viver e ter ódio de morrer - não vou lecionar, nem fazer o mestrado depois da graduação... Não pretendo deixar que o meu intelecto me domine e a última coisa que quero é cultuar o conhecimento ou as pessoas que têm conhecimento! Não dou a mínima para o acúmulo de fatos de ninguém, exceto quando se tratar de uma reflexão sobre sensibilidade elementar, de que eu de fato preciso... Quero fazer tudo... ter um modo de avaliar a experiência - se me causa prazer ou dor, e tenho de ser muito cuidadosa quanto a rejeitar a dor - tenho de perceber a presença do prazer em toda parte e encontrá-lo também, pois ele está em toda parte! Quero me envolver completamente... tudo é importante! A única coisa a que renuncio é a capacidade de renunciar, de recuar: a aceitação da mesmice e do intelecto. Eu estou viva... eu sou linda... o que mais existe?"

(Diários de Susan Sontag)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Solidão, que nada!

Estou lá sentada na pedra, o ar fresco batendo no meu rosto, respiro fuuundo...
Olho o rio passar, bem devagar, as águas correrem, bem devagar, em um caminho sem volta.
Quase dá pra ver a cena, e quando vejo me dá tanta paz.
É engraçado como dá pra sentir o gosto amargo ficando doce, bem devagar...
As coisas se constroem e se desconstroem, e a vida continua lá.
Como é difícil perceber que tudo vai continuar lá, como é fácil gostar.

"Viver é bom nas curvas da estrada..."

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Envergo mas não quebro


Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida
Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida
Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo
Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo
Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro
É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro
Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem
Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem
Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo
E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo
Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro
Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro
(Lenine)