domingo, 3 de junho de 2018

Eram as deusas astronautas?

Eram as deusas astronautas?
Meus passos em direção aos astros
Do passado ao futuro
Foi um caminho longo... E duro
Mas se da terra viemos, à terra voltaremos
O rumo do ninho não se perde
Nua deixei e nua voltarei ao ventre
Do espaço até as pirâmides
Um rastro...
Era eu o cometa Harley
Viajando há anos-luz
O início é o fim do caminho
Eu cheguei a tocar as estrelas
Com os pés fincandos ao chão
Eram as deusas astronautas?
Ou era mãe-África a semente da vida
E nós o mistério do tempo?

quinta-feira, 19 de abril de 2018

A nossa faca
Foi amolada
Na mesma rua
A diferença 
É que fiz da minha
Arma de luta
Até hoje a sua
Machuca
Machuca
Machuca
O silêncio
Te vê dormir chorando
E acorda sem pedir desculpa
Guarda teu grito contigo
E não te engane nunca

quinta-feira, 12 de abril de 2018

nada havia antes de mim
e não porque me considero
significativa
justamente porque nada
significo
nada havia antes
nada haverá depois
sou tão meio
sou tão parte
eu
os sapiens
os selvagens segundo os sapiens
os átomos
e todo mistério
somos
sem início, fim ou forma
um imenso abstrato

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Se te imagina
Sozinho
No meio da selva
Se é capaz
De pensar
Em ser
Num espaço
Inóspito
Se te depara
Com a onça
O que te vem
A cabeça?
"Não olhe nos olhos dela,
Não encare
A fera"
Que besteira...
O bicho percebe
A decência
De quem não desvia
Por medo
Ele espera
Um olhar de respeito
Pra dividir seu espaço
Com o outro
a lágrima escorre
seca
o resto é que está
molhado
a vida mais uma vez
chega
transbordando
meu coração
inundado
cansado
em meu velho barco
sob o silêncio de um
sol iluminado
permaneço
queimando
sozinho
entre as correntezas
incrédulo
estático
e como quem protege
os grandes amigos
o vento
me sopra aos ouvidos:
você já conhece
as águas
não durma
não pule
cuidado
A história d'ÁFrica vive
Quando renasce em carne
Pelo vibrar do couro