domingo, 8 de março de 2015

Revolução à francesa

Liberté
Às nossas mentes e corpos
Egalité
Às nossas ideias e esforços
Fraternité
Às nossas irmãs
E aos destroços
De suas sofridas existencias
Queremos ter como norte
Nossos sorrisos
Nossa sorte
Aponta
Para o nosso discurso
Lutemos
Podemos incendiar as bastilhas
Vencer todas as guerrilhas
Nós conhecemos
O nosso poder

segunda-feira, 2 de março de 2015

haikai

Inveja dos adolescentes apaixonados
Beijos de língua na sarjeta
Tem gente que prefere um bom sexo
Outros preferem punheta

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Nós já fizemos coisas irracionais
Nossos corpos pagaram pelos nossos pecados
Nossos corações pelos perdões
Mas foram os nossos pés
Que cansaram das nossas estradas
E nossos braços
Abraçados
Que nos protegeram dos ventos fortes
Só nós sabemos
Só nós somos remédios para nossas feridas
Nossos olhos são nossas cicatrizes
Incuráveis
Somos fogo e gasolina
Lampião e Maria Bonita
Você Diego e eu Frida
A fome e a vontade de comer
Nos devoramos e somos devorados
Nos embriagamos de nós mesmos
E estamos sempre de ressaca
Nossas cabeças doem e não sabemos o que fazer
Estamos perdidos
A gente não sabe o que quer
Só o que não quer
E a gente não quer que isso acabe
E a gente não quer nem saber


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Exótica

É engraçado que eu e algumas mulheres sejamos consideradas exóticas, diferentes e outras coisas do tipo. Na verdade, não é engraçado, mas é curioso que eu me perceba sendo realmente uma espécie rara em alguns ambientes. Olho em volta e todo mundo é praticamente igual e eu sempre tenho poucas pessoas com quem eu possa me identificar. E aí, fica mais curioso, porque eu moro no Brasil e quantas mulheres negras e de cabelos crespos moram nesse país? Milhares. Só que quantas estão na mesma faculdade? No mesmo local de trabalho? E olhando para o lado estético, que é sobre o que quero falar, quantas tem o mesmo cabelo? Quantas não tem vergonha de usar turbantes (agora ninguém tem, porque está na moda) ou qualquer tipo de adereço que representa nossas raízes?
Em todos os lugares que eu vou, sempre tem alguém pra falar do meu cabelo, sempre. De como é bonito, de como é isso, de como é aquilo, é claro que eu gosto, mas é importante refletir em como um cabelo como o meu que era para ser comum em um país com uma população 50% negra, se torna o diferente, o exótico, algo a ser comentado.
Pouca gente quer ser o diferente, então a maioria se encaixa no padrão. Mais do que serem consideradas diferentes e exóticas, poucas meninas querem ser consideradas feias. Porque ser o que você realmente é, mulher negra com os cabelos crespos, ainda é considerado feio, sujo, marginalizado, não apresentável etc. Eu já falei sobre isso aqui. São palavras duras, mas são verdadeiras. Ainda enfrento preconceito da minha própria família por ter escolhido manter o meu cabelo natural. Escolha que fiz há pouco tempo, pois passei a vida alisando o cabelo. E acho que o preconceito que sofro da minha própria família, onde todos tem os cabelos crespos, vem do medo de que eu seja oprimida. Vem do medo de que eu enfrente desde piadinhas até a falta de credibilidade. E eu entendo isso. E acho importante que todos pensem sobre isso.
Estou me aproximando cada vez mais de gente com quem me identifico, seguindo páginas na internet  em que mulheres negras são protagonistas, meninas como eu, com quem eu posso trocar ideias. Me interesso por assuntos diversos, desde cuidados com o meu tipo de cabelo, pele, até todos os tipos de preconceitos que sofremos por sermos quem somos e como podemos empoderar meninas como nós.
Eu acho importantíssimo que esses espaços existam. Percebo muito que quanto mais as mulheres negras se identificam umas com as outras, mais percebem que o seu cabelo e sua roupa são, além de lindos, um ato político, uma forma de resistência. Resistimos aos padrões estéticos, enfrentamos o preconceito. E os black powers se multiplicam, as chapinhas e o formol vão para o lixo, e tudo isso deixa de ser exótico, diferente, estiloso e se torna comum, se torna natural.



domingo, 4 de janeiro de 2015

eu quero viajar

Durante a viagem
Eu juntei todos os cacos
Mas os estilhaços inflamaram a pele
E ainda não sarou
Ardia sempre nas águas doces dos rios

Eu sempre insisto em ficar
Quando me mandam embora
Eu sempre ouço as mesmas músicas
Eu tenho muito medo
De estancar o sangue
De sarar

Eu prefiro remédios
Cura efêmera da dor
Você falando baixinho no meu ouvido
Em um quarto desconhecido
Depois de dias sem querer dizer:
"Eu te amo"

domingo, 21 de dezembro de 2014

Mais um que você não vai ler e que eu escrevi com raiva

Tão dizendo por aí que a gente é o casal perfeito
Deve ser a tecnologia
Tipo Pitt e Jolie
Queria ver no dia-a-dia
Hoje em dia imagem é tudo
O povo acha bonito mistura de etnias
As vezes eu acho até legal, dá um efeito no instagram
Tiro uma foto nossa todo domingo de manhã
Que você não me dá nem bom dia
Eu finjo que ligo, mas tô cagando pras curtidas
É chato ser mina e realista
Minha vontade era ser romântica
E pensar:
Uma viagem a dois
Que bom!
Mas se pá eu queria ir sozinha
Sem câmera fotográfica na mão
Com mais amor no coração
Sem rotina
Sem olhar indiferente
Sem problema na mente
Até o silêncio
Que me incomoda tanto
Seria bom
Eu nunca soube fingir
Nem ser desprezada
Ou caminha comigo ou segue sozinho na caminhada
Eu não fui criada pra implorar migalha
Por favor,
Me beije
Me ame
Me olha
Sempre que possível
E sempre que não for
Nunca vou pedir
Mas aprecie as minhas poesias
Nunca esqueço nenhum neguinho que me elogia
Alimente meu ego
Porque o seu já tá cheio
E o meu saco também
Prefiro quando eu falo um monte de merda
E você diz amém
Do que quando você reclama
Que a gente não tem nada a ver
Que eu falo demais
E manda eu ir me fuder
Essa raiva só vai passar quando eu comer McDonalds
E você me comer


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

a mesma rotina que esmaga é a que regenera
conviver é arte
é forma pura de amor
ceder e ser dois
também é libertação
renovando os pensamentos